Publicado em 05/05/2026 às 11:11
Os primeiros passos do projeto Caminho Seguro na cidade de Porto Alegre foram dados a partir de uma parceria entre a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) do município e o International Road Assessment Programme (iRAP).
Fonte: Fundação Thiago de Moraes Gonzaga
A iniciativa visa transformar o entorno das escolas em um ambiente mais seguro, agradável e inclusivo através de intervenções e o uso de velocidade máxima de 30km/h, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Método e processo
O primeiro Caminho Seguro escolheu o bairro Cristal, na zona sul da cidade. Ali se concentram dois colégios, uma creche e uma unidade de saúde que geram um fluxo intenso de crianças, adolescentes e famílias e amplifica a exposição a riscos.
Com a definição da área, foi a vez de implantar a metodologia Star Rating for Schools (SR4S) da iRAP, que prescreve escuta ativa e participação da comunidade seguida por análise da segurança viária baseada em evidências com classificação da segurança do entorno para propor e discutir intervenções e partir para a implementação. Na sequência, há uma avaliação das modificações, nova classificação de segurança e etapas de correção ou conclusão do projeto.
No caso de Porto Alegre, também foi escolhido fazer uso de técnicas de urbanismo tático, para resultados rápidos e baixo custo.
O fluxo do processo. Fonte: Star Rating For Schools (SR4S)
Em março de 2025, a equipe promoveu oficinas com os estudantes para que aprendessem a identificar riscos e os principais princípios de segurança no trânsito. Também foi feita uma pesquisa com 181 pais, professores e trabalhadores da escola que revelou que 75% dos deslocamentos escolares eram feitos a pé ou por transporte público.
Fonte: Fundação Thiago de Moraes Gonzaga
A segunda etapa foi a avaliação da segurança através da classificação de estrelas da iRAP, onde 5 é a melhor e 0 é a pior nota possível. E aí veio um dado assustador: o principal cruzamento ganhou apenas 2,1 estrelas, pela falta de sinalização, precariedade da travessia e alta velocidade dos veículos.
A área e os seus principais cruzamentos. Fonte: Fundação Thiago de Moraes Gonzaga
Para virar o jogo, o Caminho Seguro instalou nova sinalização e reduziu, com pintura no chão, o raio de giro nas esquinas para forçar a redução de velocidade. Também usou a tinta no asfalto para chamar a atenção de motoristas e pedestres para os pontos de travessia e maior circulação de pedestres. Para completar, instalou bancos e floreiras em frente às escolas e o posto de saúde, para incentivar a ocupação do espaço público.
Fonte: Fundação Thiago de Moraes Gonzaga
Indicadores
Os resultados foram mensuráveis. A velocidade dos veículos na região caiu 50%. O número de veículos trafegando a menos de 30 km/h aumentou em 39%. A classificação de segurança saltou para 3,9. Ao todo, cerca de 1.750 pessoas foram diretamente impactadas.
Referências: starratingforschools.org | vidaurgente.org.br | Caminho Seguro.pdf | starratingforschools.org | sindsegrs.com.br | prefeitura.poa.br | pldasvelocidadesseguras.org.br
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