METRONIZAÇÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO EM VIA URBANA – GOIÂNIA (GO)


A velocidade operacional dos ônibus é um elemento de peso relevante no custo do transporte público e para melhor entender isso a gente precisa entender o ciclo, o tempo de ciclo e o quadro de marcha.

A ida e volta de uma viagem é conhecida como ciclo e o tempo do ciclo de cada linha determina o tamanho da frota necessária para essa operação. Ou seja, quanto maior o tempo de ciclo, mais ônibus precisam atuar para garantir os intervalos da linha. E aqui é preciso lembrar que tanto a duração da viagem quanto a duração dos intervalos entre ônibus são atributos de qualidade da prestação de serviço ao usuário.

Ônibus do Sistema BRT Norte-Sul de Goiânia. Fonte: RMTC Goiânia.

Já a velocidade média (Vm) dos ônibus que circulam em via públicas no Brasil é de 14 km/h. A razão disso é o quadro de marcha do veículo na via e que é a soma do tempo em movimento com o tempo gasto nos pontos para embarque e desembarque de passageiros, nas paradas em semáforos de cruzamentos com vias transversais e ainda o tempo de espera no ponto inicial e no ponto final da linha.

Quadros de marcha e eficiência do deslocamento

Quando colocamos lado a lado o quadro de marcha de um sistema de transporte de superfície – como é o caso dos ônibus – com um sistema de metrô, o desempenho dos ônibus se mostra menos eficiente. O metrô, que, em geral, é subterrâneo ou elevado e conta com estações que fazem um pré-embarque dos passageiros, suas estações também são mais espaçadas entre si e, assim, o seu quadro de marcha é melhor, com a velocidade média chegando a 32 km/h.



A velocidade média (Vm) do metrô chega a ser mais que o dobro da Vm dos ônibus, sendo TC aqui o mesmo que Transporte Coletivo.  Fonte: ANTP

A diferença fundamental reside nas características do embarque de passageiros e nas paradas ao longo do trajeto. O metrô tem embarques rápidos e poucos obstáculos à sua circulação. Os sistemas de superfície enfrentam interrupções frequentes para embarque e desembarque, além de paradas em cruzamentos e semáforos. E tudo isso somado compromete a velocidade média dos ônibus e exige um número maior de veículos para que seja possível manter a frequência e a qualidade do serviço. 

O modelo histórico de validação dos bilhetes de viagem dentro dos ônibus no momento do embarque é um dos grandes gargalos do sistema, porque ele aumenta o tempo de parada em cada ponto de ônibus na linha. Quando juntamos esse fator à menor distância entre os pontos de parada e a todo tempo perdido nos semáforos de vários cruzamentos ao longo do trajeto, temos, então, um sistema lento e menos eficiente. 

Metronização

A metronização é um conceito cunhado em Goiânia e que se traduz na busca de um sistema de transporte público em superfície que se assemelhe ao modo de operação dos metrôs, sobretudo para os sistemas de média capacidade.

Corredores exclusivos e estações que assumem o controle do bilhete de viagem e agilizam assim o embarque nos ônibus. Fonte: RMTC Goiânia.

Para isso, três medidas fundamentais foram adotadas pela prefeitura municipal da capital goiana: a implantação de corredores exclusivos ou predominantemente exclusivos para o transporte público de superfície; o uso de estações de pré-embarque com cobrança externa da passagem, e o acionamento dos semáforos pelos ônibus nos cruzamentos com vias transversais aos corredores. 

Medidas como corredores prioritários para o transporte público em vias urbanas e estações com cobrança externa já eram práticas comuns a todos os sistemas de BRT implantados no Brasil. A novidade em Goiânia é a prioridade também nos semáforos em cruzamentos com vias transversais.

A priorização nos cruzamentos com semáforos

Para implantar a chamada metronização e a priorização do transporte público diante dos semáforos, foi preciso mudar o modelo de gestão do tráfego urbano e, mais importante ainda, a articulação e integração institucional.

Os 18 municípios da Região Metropolitana de Goiânia integrados pela RMTC. Fonte: RMTC Goiânia

Essa integração veio com a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), uma unidade sistêmica regional composta por todas as linhas e serviços de transportes coletivos, de todas as modalidades ou categorias, que servem os municípios da Região Metropolitana (RM) de Goiânia. Por outro lado, a gestão da RMTC está nas mãos da Companhia Metropolitana de Transporte Públicos (CMTC), que conta na sua direção com a Prefeitura Municipal de Goiânia – que preside a CMTC e faz sua gestão operacional através de uma diretoria técnica –, com o Governo do Estado de Goiás – que fiscaliza os trabalhos – e com a Prefeitura de Aparecida de Goiânia – responsável pela administração. Isto quer dizer, então, que a metronização adotada em Goiânia é fruto de uma decisão desse órgão colegiado. 

O sistema de semáforos inteligentes 

Goiânia adotou um sistema de semáforos inteligentes com acionamento à distância, uma tecnologia que usa sensores instalados nas vias e nos ônibus para ajustar os sinais de luz, melhorando a fluidez e trazendo mais segurança no trânsito e que, no caso da metronização, assegura a priorização do transporte público nos cruzamentos semaforizados. 

O sistema é composto por sensores de movimento e câmeras que detectam a presença de veículos e pedestres nas vias, coletando dados sobre o volume de tráfego em tempo real. Os dados são analisados por algoritmos de tráfego e inteligência artificial que determinam assim a duração ideal dos sinais de trânsito, com ajustes dinâmicos em tempo real que otimizam o fluxo dos veículos. 


Sensores e câmeras informam uma central automática sobre a aproximação de um ônibus. A central dispara uma ordem para que o semáforo fique verde, priorizando assim a fluidez do deslocamento do transporte coletivo.  Fonte: ANTP

Tudo está também interligado através de uma rede 5G que possibilita uma comunicação rápida entre semáforos, veículos e centros de controle, permitindo um gerenciamento em tempo real através de um software centralizado que define as estratégias de sinalização, como o ajuste dos tempos de verde ou a criação de "ondas verdes". E, para completar, uma série de nobreaks garantem que os semáforos continuem a funcionar mesmo em casos de queda de energia.

Peças de comunicação explicam para os cidadãos a ideia de metronização através do uso de semáforos inteligentes. Fonte: Instagram da Prefeitura de Goiânia.

Experiências e resultados

Várias cidades do mundo já testaram e aprovaram os semáforos inteligentes com a conquista de aumento da velocidade média operacional. Por aqui, em outubro de 2025 a tecnologia estava em uso no BRT Norte-Sul de Goiânia, na Linha Verde em São José dos Campos e em corredores da cidade de Curitiba. Na capital goiana, os resultados anunciados pela CMTC também foram bastante positivos.

Referências: goias.gov.br | ntu.org.br | sjc.sp.gov.br | diariodotransporte.com.br | Bus Priority – What is Transity Signal Priority (TSP) | sistemabrt.rmtcgoiania.com.br


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