COBRANÇA SOBRE OBRA NA PISTA E OUTRAS AÇÕES DE PRIORIZAÇÃO DOS ÔNIBUS - REINO UNIDO


Alguns municípios investem e buscam soluções para dar cada vez mais prioridade aos coletivos em suas vias e fazem isso com um pacote de recursos que pode incluir faixas e corredores exclusivos para ônibus, um sistema completo de BRT ou pequenas modificações aqui e ali no mapa da cidade. Muitas dessas ações tiveram início em Londres e se espalharam diante dos seus resultados positivos.

Ruas exclusivas de ônibus

A Rye Lane é uma rua de comércio popular em que só podem circular ônibus, bicicletas e táxis. As cargas e descargas estão liberadas apenas entre 7 e 10 da manhã.  Fonte: Google Maps

No Reino Unido é possível encontrar um bom número de ruas ou trechos de ruas como áreas liberadas apenas para o vai e vem de ônibus. A medida é mais comumente implantada em locais de grande circulação de pedestres, oferecendo aos transeuntes um ambiente mais seguro, com menos barulho e encorajando as pessoas a escolher o transporte público ao fornecer um acesso mais conveniente para os passageiros. 

As ruas exclusivas para ônibus têm implantação rápida e barata, exigindo apenas sinalização e fiscalização. A exclusividade pode funcionar dia e noite, inclusive nos feriados e finais de semana, ou ter outros horários estabelecidos de acordo com as necessidades da área, com liberação, por exemplo, de entregas antes ou após o fim dos seus horários de pico. Estas ruas podem também abrir ou não o espaço para a passagem de outros veículos, como bicicletas, táxis, ambulâncias e afins.

Portão de ônibus

Sinalização advertindo para o começo de um bus gate (portão de ônibus) na Union Street em Bristol, Inglaterra.  Fonte: Google Maps

Outra estratégia para facilitar o fluxo de ônibus bastante utilizada em várias cidades do Reino Unido é o bus gate (literalmente, portão de ônibus) – trechos pequenos de via liberados apenas para o tráfego de ônibus e outros veículos autorizados. 

Desenho de um bus gate do Manual de Sinalização de Trânsito do Reino Unido (UK Traffic Signs Manual) de 2008.

Rotas preferenciais

Às vezes o órgão que organiza as linhas traça trajetos mais diretos, mais rápidos e mais curtos para os coletivos, enquanto os carros precisam seguir uma rota mais longa e demorada. 

Existem várias estratégias úteis para o estabelecimento de uma rota preferencial, Faixas para ônibus em sentido normal e/ou contrário, um sinal que libera a passagem apenas de coletivos, um portão de ônibus que bloqueia o avanço de outros veículos – tudo isso pode criar atalhos que deixam o transporte público mais atrativo.


O trânsito em geral segue a linha escura, enquanto os ônibus contam com uma rota preferencial assinada no mapa em vermelho, saindo da Clarence Street direto para a Cromwell Road em Londres. Fonte: Bus Priority Design Guidance, TfL, 2025.

Intervenções em cruzamentosVeículos que chegam ou vão embora de uma via através de ruas laterais podem ser uma grande fonte de atrasos. Para combater o problema, a Transport for London (TFL) às vezes bloqueia ou limita o acesso a estas ruas que cortam as rotas dos ônibus, desde que elas não sejam utilizadas por outros coletivos.

Veículos que chegam ou vão embora de uma via através de ruas laterais podem ser uma grande fonte de atrasos. Para combater o problema, a Transport for London (TFL) às vezes bloqueia ou limita o acesso a estas ruas que cortam as rotas dos ônibus, desde que elas não sejam utilizadas por outros coletivos.

Na outra ponta, há casos de conversões proibidas que a TfL pode liberar apenas para os ônibus, e isso vale não só para as linhas fixas como para casos de rotas que precisam fazer desvios em função de acidentes, alagamentos, obras e coisas do gênero

Cobrança sobre obras nas vias

Aos poucos outras cidades estão adotando a mesma estratégia e cobrando taxas diárias pela ocupação das vias com obras. Fonte: Cidade de Enfield.

Mas talvez a medida mais importante para garantir um bom fluxo dos coletivos na cidade de Londres e que foi replicada em outros municípios do Reino Unido seja justamente o controle que a TfL tem sobre a aprovação de quando e como uma obra em uma via poderá ser executada. Para isso, a agência responsável pelo trânsito na capital e outros envolvidos no processo analisam o impacto da intervenção sobre o deslocamento dos ônibus e estabelecem medidas para mitigar o problema e usam também o Lane Rental Scheme para abreviar as interrupções.

Introduzido em 2012, o Lane Rental Scheme (locação da pista) cobra uma taxa de aluguel quando qualquer empresa, agência ou concessionário faz qualquer obra nas ruas consideradas pontos importantes para o fluxo do tráfego – e que correspondem a 69% da Transport for London Road Network (TLRN). 

A iniciativa não vem para arregimentar fundos nem punir as companhias, mas serve para que o pessoal defina melhor o horário e o método de trabalho e ainda incentiva o desenvolvimento de novas tecnologias que tragam mais agilidade à execução do serviço.


A locação da pista paga o funcionamento da iniciativa com as taxas cobradas e os valores excedentes bancam inovações do setor público ou privado que possam diminuir o impacto negativo das obras sobre o transporte público. O valor do aluguel vai de 1.000 a 2.500 libras por dia e depende da localização, do horário e de outras variáveis.

 Um mapa interativo na página do Lane Rental Scheme dentro do site da TfL permite acessar uma via e ver qual é a taxa diária de locação e os horários cobertos pela cobrança.

Referências: buscentreofexcellence.org.uk | tfl.gov.uk | tfl.maps.arcgis.com | content.tfl.gov.uk/london-borough-lane | content.tfl.gov.uk/lane-rental | ov.uk


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