A Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que 62% dos óbitos causados pelo trânsito em 2009 no mundo se concentravam em dez país: Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Brasil, Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito.
Espantada com esse dado, a OMS estabeleceu uma colaboração com a Bloomberg Philanthropies, a John Hopkins University (JHU), a Global Road Safety Partnership (GRSP), a EMBARQ (hoje parte do WRI), a Association for Safe International Road Travel (ASIRT) e o Banco Mundial para a elaboração de um projeto de prevenção e segurança viária que ficou conhecido como “Road Safety in 10 countries” – RS 10. O Brasil, como quinto lugar na lista das nações com mais mortes no trânsito, foi um dos convidados a participar da iniciativa.
O RS10 e o PVT
Por aqui o RS10 tomou corpo com o Programa Vida no Trânsito (PVT) implantado pelo Ministério da Saúde em 2010 e continua na ativa desde então. O seu objetivo é promover intervenções que reduzam mortes e feridos graves no trânsito. Para isso, o foco é priorizar o aumento do uso do cinto de segurança, a redução da velocidade, aprimoramento da legislação e aumento da fiscalização em relação à direção alcoolizada e uso do capacete. Por fim, o trabalho busca a consolidação de um transporte urbano sustentável, além de melhorias na infraestrutura viária.
A experiência de Goiânia
Na capital goiana, o PVT deu seus primeiros passos em 2012 e desde então a cidade segue a metodologia do programa para monitorar os dados relacionados aos sinistros, em especial os fatais, e definir assim as ações de combate a estes acontecimentos.
Até 2023, os dados eram catalogados e depois circulavam na forma de Boletins que analisavam a situação e traziam recomendações. Mas desde 2024 os dados do PVT de Goiânia têm sido disponibilizados também em uma plataforma digital.
Tanto o Painel quanto os Boletins trazem informações sobre várias características das vítimas – como idade, gênero, profissão, estado civil e área de residência.
A plataforma digital aberta ao público consolida as ocorrências e oferece mais detalhes quando o cursor do mouse se encontra em cima de um elemento. Fonte: Site do Painel PVT de Goiânia consultado em 17/07/2025
Os dados computados pelo PVT também identificam os meios de transporte utilizados no momento do sinistro, e o dia da semana, horário e local das ocorrências, para melhor identificar pontos críticos que exigem intervenções.
Detalhe do painel online do PVT de Goiânia. Fonte: Site do Painel PVT de Goiânia consultado no dia 17/07/2025
Com a análise integrada de todos os dados é possível delinear com precisão um plano de ação intersetorial com foco nos principais fatores e grupos de risco.
Um recorte de 2025 na plataforma digital do PVT de Goiânia. Fonte: Site do Painel PVT de Goiânia consultado no dia 17/07/2025
O painel é alimentado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do município com dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Justiça (SSP), as Polícias Rodoviárias Estadual e Federal e a Delegacia Estadual de Investigações de Crimes de Trânsito (Dict).
A experiência de Porto Alegre
A capital do Rio Grande Sul aderiu ao PVT em 2012 e tem revelado bons números na luta contra fatalidades no trânsito, como indica o gráfico histórico que consta do Portal de Transparência da Empresa Pública de Transporte e Circulação de Porto Alegre (EPTC).
Fonte: EPTC
Porto Alegre tem usado com consistência os dados obtidos pelo Programa Vida no Trânsito para definir planos bienais de ação intersetorial para o próprio PVT. Além disso, a prefeitura local fez uso da informação reunida pelo PVT para a confecção de um Plano de Segurança Viária Sustentável em 2022, sob a reponsabilidade da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana – SMMU e a Empresa Pública de Transporte e Circulação – EPTC.
Nesse documento, a ações englobam engenharia, fiscalização, educação, gestão e planejamento segundo os cinco pilares do PVT definidos pela ONU:
- PILAR 1: Formar alianças multissetoriais, desenvolver estratégias, planos e metas de
segurança no trânsito e direcionar sua implementação, com base em dados e
evidências, bem como monitorar a sua implementação e eficácia.
- PILAR 2: Aumentar a segurança intrínseca e a qualidade da proteção das vias urbanas, especialmente os mais vulneráveis (pedestres, ciclistas e motociclistas).
- PILAR 3: Adotar medidas para estimular a circulação de veículos mais seguros.
- PILAR 4: Desenvolver programas para melhorar o comportamento dos usuários do
sistema viário.
PILAR 5: Melhorar a resposta a emergências causadas por sinistros de trânsito.
O Plano traz ainda metas e indicadores para monitoramento, com prazos e responsáveis e estabelece revisões programadas para qualquer necessidade de acerto de rota.
Fonte: Plano de Segurança Viária Sustentável, 2022. Prefeitura de Porto Alegre.
Referências: lookerstudio.google.com | bvsms.saude.gov.br | saude.goiania.go.gov.br/Cenário-das-lesões-de-motociclistas-2024 | saude.goiania.go.gov.br/Boletim-Epidemiologico-do-Programa-Vida-no-Tranisto-01-2024 | goiania.go.gov.br | gov.br/saude | prefeitura.poa.br | prefeitura.poa.br/plano-de-seguranca-viaria-sustentavel | eptctransparente.com.br
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