A ideia de ruas completas surgiu em 2004 nos Estados Unidos e traz o conceito de que as ruas devem ser para muito mais do que apenas carros. Elas devem ter espaço para todo tipo de transporte, para gente de toda renda, de todas as idades e com e com diferentes capacidades de locomoção.
O Ruas Completas requalificou a Rua Miguel Calmon em Salvador.
Fonte: Rafael Martins/WRI Brasil
Sua premissa é criar ruas mais democráticas e seguras, onde motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres de todas as idades possam compartilhar o espaço sem riscos nem conflitos.
Se a rua já existe, ela recebe intervenções para garantir essa distribuição equitativa do seu espaço de modo a trazer benefícios para todos. Se é uma rua nova, ela é desenhada e construída já dentro desse princípio de universalidade e segurança. Outras vezes o conceito de uma rua completa é utilizado para revitalizar áreas degradadas.
Implantação no Brasil
A WRI começou a trabalhar com a ideia das Ruas Completas no país em 2017 com projetos-piloto em várias cidades brasileiras, e de modo incorporado à Rede Nacional para a Mobilidade de Baixo Carbono. As ações envolveram urbanismo tático (de baixo custo e temporárias) e intervenções permanentes.
A proposta de cada rua completa é única, feita sob medida, e leva em consideração a realidade local, a vocação da área, os seus aspectos físicos e o comportamento de quem vive, trabalha, estuda ou passa por ali. Além disso, o trabalho segue seis princípios:
São Paulo (SP)
Na capital paulista, em 2017, a R. Joel Carlos Borges, próxima a estação Berrini da CPTM no Brooklin, tinha calçadas estreitas e cheias de obstáculos. Para contornar esse desafio, os pedestres caminhavam de maneira insegura no meio da rua, entre carros estacionados e em movimento. Em setembro, a via recebeu uma ampliação de 70% da área dedicada aos pedestres, tomando a área de estacionamento que atendia a apenas 41 vagas com a pintura de faixas verdes executada pela CET-SP.
O antes e o depois da R. Joel Carlos Borges, que ficou mais segura, mais confortável e mais conveniente.
Fonte: Pedro Mascaro/WRI Brasil.
Porto Alegre (RS)
A Rua João Alfredo fica no centro de Porto Alegre e é uma via coletora em que os motoristas trafegavam acima da velocidade permitida e que não tinha espaços seguros para pedestres. Além disso, ela tinha intenso uso noturno e pouca vitalidade durante o dia. Em 2019, a João Alfredo recebeu uma ação de urbanismo tático que conseguiu reduzir as velocidades médias praticadas em até 17 km/h ao mesmo tempo em que viu cair 43% das ocorrências de trânsito.
A rua João Alfredo antes e depois da intervenção. Fonte: Daniel Kener Neto/WRI Brasil
Curitiba (PR)
No centro da capital paranaense, a intervenção assumiu um caráter de permanente e com a missão de revitalizar e requalificar a Rua Voluntários da Pátria, o que era uma reivindicação do comércio local. Também era importante priorizar os pedestres, melhorar a acessibilidade e cuidar da iluminação e da drenagem.
As obras foram entregues em março de 2020 em Curitiba.
Fonte: Mauro Magnabosco e Daniel Castellano/WRI
Niterói (RJ)
A Avenida Marquês do Paraná é um importante eixo de estruturação da mobilidade urbana de Niterói e ali o desafio era torná-la mais segura e humanizada, criar/aprimorar espaços públicos de permanência, melhorar a iluminação e a drenagem e ainda incentivar os deslocamentos coletivos e ativos. As obras foram entregues em 2020.
Antes e depois da Av. Marquês do Paraná em Niterói. Foto: Fabrício Arriaga
Uma característica interessante das intervenções do Ruas Completas na Av. Marquês do Paraná em Niterói foi ir de zero a quase 3,5 km de faixas dedicadas e baias para os ônibus. Isso demonstra o alinhamento do Ruas Completas com os princípios, diretrizes e objetivos da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012), ou seja, o projeto tem dá prioridade a pedestres e ciclistas, enquanto também destaca o transporte coletivo, seja através de melhorias na qualidade do acesso das pessoas às paradas ou pela introdução de mudanças na operação, com é o caso da criação, por exemplo, de vias exclusivas.
Ruas Completas SP
A partir de 2021, o trabalho foi ampliado com a formação da Rede de Ruas Completas SP que tem como objetivo apoiar projetos que reduzam mortes e lesões no trânsito em 20 cidades paulistas: Araraquara, Bauru, Bebedouro, Campinas, Campos do Jordão, Capão Bonito, Catanduva, Diadema, Francisco Morato, Guarulhos, Jacareí, Jundiaí, Limeira, Piracicaba, Registro, Ribeirão Pires, Ribeirão Preto, Santo André, São José do Rio Preto e São José dos Campos.
O formato de rede mira o compartilhamento de soluções e experiências entre as cidades participantes que contam com o apoio da WRI Brasil para desenvolver uma ação específica de segurança viária.
A cidade de Campinas (SP), por exemplo, usou esse suporte para o desenvolvimento do seu Plano de Segurança Viária (PSV) para a década de 2023 a 2032. O documento foi lançamento no começo de 2024 e seis eixos: Gestão e Coordenação; Mobilidade e Vias Seguras; Fiscalização; Dados e Evidências; Comunicação e Educação; e Atendimento às Vítimas. Cada eixo vem com objetivos claros e estabelece produtos, metas e indicadores para garantir a sua execução.
A meta é evitar a morte de 903 pessoas até 2032. Fonte: PSV Campinas
Referências:
wribrasil.org.br/noticias/afinal-o-que-sao-ruas-completas
wribrasil.org.br/ruas-completas-no-brasil
wribrasil.org.br/legislacao-e-ruas-completas-desafios-e-oportunidades
wribrasil.org.br/projetos/ruas-completas
wribrasil.org.br/intervencao-em-salvador
antp.org.br/ruas-completas
antp.org.br/ruas-completas-conceito-e-aplicacao-belo-horizonte
itdpbrasil.org
Sobre Ruas Completas SP:
emdec.com.br
wribrasil.org.br/projetos/rede-ruas-completas-sp
wribrasil.org.br/campinas-plano-de-seguranca-viaria-que-pode-salvar-vidas
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