Publicado em 15/05/2026 às 12:07
A climatização dos ônibus é hoje parte das condições básicas de qualidade do transporte público e está prevista nas concessões. No entanto, fiscalizar e garantir que o ar-condicionado funcione corretamente em toda a frota sempre foi um desafio. As vistorias presenciais têm alcance limitado e costumam não acompanhar o serviço de forma contínua.
Tomaz Silva /Agência Brasil
Dos sensores para a remuneração
Para enfrentar o problema, a Secretaria Municipal de Transportes da Cidade do Rio de Janeiro (SMTR) implementou uma fiscalização automatizada com o uso de sensores de temperatura instalados nos ônibus e acionados pelos validadores nos veículos. Os sensores registram de modo contínuo as condições térmicas durante as viagens.
O sensor é instalado dentro da canaleta, na saída do ar-condicionado. Nesse ponto, ele registra as temperaturas mais baixas. Fonte: SMTR
Os dados são enviados para uma plataforma da Prefeitura, onde passam por tratamento e validação. Nesta fase, há uma exclusão de registros inválidos (valores nulos ou iguais a 0 °C), a remoção automática de leituras isoladas que destoam do comportamento do conjunto de medições e ocorre uma verificação individual de conformidade de cada registro como definido na RESOLUÇÃO SMTR Nº 3857/2025. Por fim, acontece a classificação final da viagem, que considerada o ar-condicionado como operante quando pelo menos 80% dos registros válidos atendem aos critérios de regularidade.
Fonte: SMTR
A classificação não é apenas informativa. Ela está diretamente ligada à remuneração das operadoras: viagens em que o ar-condicionado não funciona deixam de ser consideradas para pagamento de subsídio. Com isso, o sistema conecta a qualidade do serviço à lógica econômica da operação.
Fonte: SMTR
Em função deste novo desenho, foi preciso fazer ajustes regulatórios e estabelecer um fluxo dos dados, para garantir que as informações geradas fossem rastreáveis e auditáveis. Outro ponto importante foi a transparência. Os dados consolidados passaram a ser disponibilizados em ambiente público, permitindo o acompanhamento por cidadãos e organizações. Isso fortalece a prestação de contas e faz com que o debate sobre a qualidade do serviço seja baseado em evidências.
Descendo a barra lateral do campo “% (Ar operante)”, é possível ver os casos em que o ar-condicionado não funciona a contento. Fonte: SMTR
Os resultados mostram uma mudança consistente no desempenho do sistema. O percentual de viagens com ar-condicionado operante aumentou de cerca de 75% para mais de 96%. Ao mesmo tempo, mais de 625 mil viagens com falhas foram identificadas, o que demonstra a capacidade do sistema de detectar problemas de forma precisa.
A escala da fiscalização também avançou. Desde julho de 2025, mais de 7,8 milhões de viagens foram analisadas, cobrindo 100% da frota climatizada, com mais de 4.000 ônibus. Esse volume foi alcançado sem aumento das equipes de campo, apoiado pelo processamento automatizado de mais de 1,24 bilhão de registros de temperatura.
Fonte: SMTR
Como resultado, a gestão pública passou a contar com uma base de dados detalhada, permitindo análises por veículo, horário e padrão de operação. Isso melhora o controle, apoia decisões regulatórias e amplia a transparência. Ao vincular o pagamento à entrega do serviço, a iniciativa também cria incentivos claros para o cumprimento dos padrões de qualidade.
Referências: transportes.prefeitura.rio | Sensores de Ar Condicionado | youtu.be | diariodorio.com | agenciabrasil.ebc.com.br | oglobo.globo.com | vejario.abril.com.br
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