Publicado em 15/05/2026 às 11:18
A Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) é um sistema que atende a capital e os 18 municípios do entorno de Goiânia, e que tem trabalhado com foco na recuperação da sustentabilidade operacional pós-pandemia e na melhoria da qualidade do serviço, enquanto tenta se manter atenta à necessidade de redução dos impactos ambientais. Em função de tudo isso, a entidade partiu para a implantação de um novo modelo energético para a sua frota de ônibus, introduzindo veículos movidos a biometano.
Fonte: Governo de Goiás
Estudo e piloto
O processo começou com um estudo de comprovação da viabilidade operacional e econômica do uso do combustível e que trouxe também uma estimativa de que o estado, com grande presença da agropecuária e, portanto, enorme potencial de produção de biocombustível, pode chegar a produzir algo em torno de 2,2 bilhões de metros cúbicos de biogás por ano – o que seria suficiente para atender a 98% da demanda das regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste do país.
Com as conclusões positivas desse levantamento técnico, um projeto piloto colocou um primeiro ônibus com 195 m3 de gás para cumprir até oito viagens diárias nas ruas de Goiânia entre março e julho de 2025. E assim, aos poucos, a viabilidade infraestrutural foi testada no Terminal Novo Mundo, através do uso de uma carreta com capacidade de 7.000 Nm³ de biometano e de compressores (boosters) e dispensers móveis. O arranjo demonstrou-se prático com possibilidade de replicação rápida em outros pontos do sistema.
Fonte: Governo de Goiás
Integração entre política energética e mobilidade urbana
Ao mesmo tempo, os vários entes envolvidos partiram para um desenho da logística de abastecimento e que resultou em dois grandes projetos. Um é a implantação de uma primeira usina de biometano no estado, em Guapó, a cerca de 35 km da capital, e que terá capacidade de produzir até 100 mil metros cúbicos por dia. O outro é a construção de um gasoduto que vai garantir o abastecimento de todo o sistema.
Enquanto estes projetos não são concluídos, a opção tem sido trabalhar com “gasodutos virtuais”, ou seja, com carretas que transportam cilindros de Gás Natural Comprimido (GNC) ou tanques criogênicos de Gás Natural Liquefeito (GNL) das usinas até as garagens. Também ficou decidido abastecer com sistemas de slow-filling à noite, com a instalação de estações de compressão e purificação próximas ou dentro das garagens.
Fonte: Governo de Goiás
Dentro desse cenário, a frota de ônibus que rodará utilizando biometano (ou GNV, no caso de qualquer necessidade) no sistema metropolitano de Goiânia vai crescer de modo escalonado, com novos lotes de veículos chegando a cada seis meses até um total de 501 unidades no final de 2027. Desse modo, há tempo para que a infraestrutura de abastecimento seja implantada, incluindo a compleição de do Bioposto Leste, no Terminal Novo Mundo, e que qualquer ajuste necessário possa ser efetuado.
A experiência é importante no processo de transição energética, em que se substitui combustíveis fósseis (diesel de petróleo) por combustíveis renováveis, como o biometano. Todo combustível requer produção, distribuição e abastecimento e essa experiência de Goiânia trata disso.
Referências: goias.gov.br | brasilenergia.com.br | marcopolo.com.br | revistaautobus.com.br | eixos.com.br | technibus.com.br | Congresso Biometano - Consórcio BRT
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