Publicado em 13/05/2026 às 10:39
No transporte público brasileiro, menos de 3% dos motoristas são mulheres. Salvador, no entanto, vem trilhando um caminho diferente. Criado pela Prefeitura em 2022, o programa Mulheres no Volante já formou cerca de 250 participantes, das quais 110 passaram a atuar como motoristas de ônibus na capital baiana.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre duas secretarias municipais – a de Mobilidade (Semob) e a de Políticas para as Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ). O público-alvo são moradoras de Salvador com renda de até dois salários-mínimos, incluindo as atendidas por centros de referência para vítimas de violência doméstica e familiar.
Depois de dez anos de desemprego, Marília Mota voltou ao mercado de trabalho. Foto: Jefferson Peixoto / PMS
O programa
No Mulheres no Volante soteropolitano, as participantes recebem gratuitamente a primeira habilitação nas categorias A ou B, além da mudança para as categorias C, D e E. Também fazem cursos específicos para o transporte coletivo e recebem o encaminhamento ao mercado de trabalho. A formação é realizada em parceria com o Sest/Senat Bahia, enquanto a Semob atua na articulação com as empresas operadoras do sistema.
O esforço coordenado já apresenta resultados mensuráveis: a renda média das participantes passou de menos de um salário-mínimo para cerca de dois salários após a qualificação e inserção profissional, segundo a prefeitura.
Andréa Peneluc e Ilmara Sales passaram pelo treinamento do Mulheres no Volante e agora são motoristas do BRT de Salvador. Fonte: Bruno Concha / Secom PMS
Mas mais do que números, o programa tem impacto direto na vida das participantes. Para chefes de família e mulheres em situação de vulnerabilidade, a iniciativa representa acesso a um emprego formal, estabilidade financeira e possibilidade de reorganização da vida. O programa também tem contribuído para a ampliação da presença feminina em outras funções do setor. Na área de manutenção, por exemplo, houve aumento superior a 30% na participação de mulheres, enquanto o número das motoristas praticamente dobrou desde a criação do projeto. E, sobretudo, é um esforço que também atende a crescente falta de mão de obra enfrentada pelas operadas de transporte de passageiros.
Com carteira assinada, Adriana Ferreira mudou de vida. Foto: Jefferson Peixoto / PMS
Em 2025, o Mulheres no Volante foi finalista do Prêmio Parque da Mobilidade Urbana, na categoria de projetos públicos inovadores, além de receber destaque no Smart City Expo Curitiba Brazilian Awards, na área de equidade social.
O caso de Salvador não está isolado no debate nacional, mas se diferencia pela sua estruturação institucional. Ao combinar política pública, recorte social definido e articulação com a rede de proteção à mulher, o programa transforma a qualificação profissional em parte de uma estratégia mais ampla de inclusão ao mesmo tempo em que tenta aplacar o desafio das novas contratações pelas empresas de transporte.
Referências: comunicacao.salvador.ba.gov.br | mobilidade.estadao.com.br | correio24horas.com.br | g1.globo.com | bahiaeconomica.com.br | comunicacao.salvador.ba.gov.br/programa-mulheres-no-volante | letsgobahia.com.br | aloalobahia.com | bahia.ba | aloalobahia.com
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