TRAVESSIA ACESSÍVEL VIA BLUETOOTH – CAMPINAS (SP)

Publicado em 09/05/2026 às 12:39


Os avisos sonoros para pedestres com deficiência visual costumam depender de botoeiras, mas essa solução exige contato manual, está sujeita a vandalismo e mau uso, além de produzir ruído excessivo.

 

Para contornar o problema, os técnicos da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) começaram a estudar a questão até chegarem ao desenvolvimento de um novo sistema que começou a ser implantado em 2021. 

 

Quatro anos depois, a cidade já contava com 36 interseções com alarme sonoro para travessia acionado automaticamente por tags com bluetooth assim que um usuário cadastrado se aproxima do cruzamento. 


A tag é uma espécie de chaveiro com capacidade de se comunicar com o semáforo. Foto: Prefeitura Municipal de Campinas


A operação

A pessoa com deficiência visual carrega consigo uma tag — um dispositivo semelhante a um chaveiro, com um código individual cadastrado. Assim, ao chegar a 10 a 5 metros de um cruzamento equipado, o sistema detecta a presença da tag por meio do sinal de Bluetooth, que é uma tecnologia sem fio de curto alcance.

 

Neste instante, o sistema é automaticamente acionado e dispara uma mensagem sonora que confirma a solicitação de travessia. Em seguida, outro som de alerta indica quando é seguro atravessar e se intensifica na sequência, para assinalar que o tempo de travessia está para terminar.

 

Tudo funciona sem a necessidade de botoeira, celular ou aplicativo, o que amplia a autonomia dos usuários e reduz o risco de furtos de aparelhos. E, como o som só é emitido quando necessário, a solução também diminui a poluição sonora. 

 Os dispositivos de detecção das tags ficam fora do alcance dos vândalos. Foto: Prefeitura Municipal de Campinas

Outro ganho importante é a durabilidade. Os dispositivos que detectam a presença da tag ficam protegidos em caixas metálicas instaladas na parte superior das colunas semafóricas, o que fez com que os casos de vandalismo caíssem drasticamente, reduzindo os custos de manutenção. 

O sistema segue o que prescreve a Resolução nº 704 de 10/10/2017 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) que define os requisitos para a implantação de mecanismos que sirvam de guia ou orientação para travessia na via pública de pessoas com deficiência visual e tem duas vantagens: baixo custo de implantação e a capacidade de reconhecer um número ilimitado de tags cadastradas. 

 Fonte: Canva

 

Ao final de 2025, cerca de 120 pessoas já estavam cadastradas e utilizando a tecnologia em Campinas. A liberação das tags foi feita com apoio do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, e deu prioridade aos moradores com perda total da visão, usuários frequentes do transporte coletivo e pessoas que costumam circular pelas áreas onde os semáforos já foram adaptados.  A meta do município é continuar expandindo o sistema, com a instalação de pelo menos 20 novos pontos por ano até 2028. 


Referências: horacampinas.com.br | folha.uol.com.br | acidadeon.com | campinas.sp.gov.br | diariocampineiro.com.br |  globoplay.globo.com | gov.br


Quer ver a sua experiência de boa prática compartilhada aqui no portal e concorrer ao Prêmio Plínio Assmamn de Boas Práticas em Mobilidade Urbana? Clique aqui para saber como enviar a sua prática.