Publicado em 05/05/2026 às 11:11
A taxa de congestionamento, também conhecida como pedágio urbano, é uma política pública que tem sido utilizada por grandes cidades para reduzir o tráfego em áreas centrais, diminuir congestionamentos, reduzir a poluição do ar e incentivar o uso do transporte público. O modelo prevê a cobrança de um valor para que veículos circulem em determinadas regiões, principalmente nos horários de maior movimento.
Fonte: MTA
A proposta costuma enfrentar forte resistência antes da implantação, mas a percepção logo. Com menos carros nas ruas, os deslocamentos ficam mais rápidos, favorecendo o uso dos ônibus. Além disso, os níveis de ruído e de poluição caem e os valores arrecadados são investidos no transporte público, beneficiando toda a população.
Singapura, Londres, Milão e Estocolmo
A primeira experiência de pedágio urbano aconteceu na cidade-estado de Singapura, em 1975. Em poucos meses, houve uma queda de cerca de 20% no tráfego. De lá para cá o sistema se sofisticou, e hoje utiliza tecnologia avançada que ajusta o valor da tarifa de acordo com horário, localização e volume de veículos.

Da esquerda para a direita, Singapura, Londres, Milão e Estocolmo. Fonte: Singapura (GovInsider), Londres (OECD), Milão (Urban Access Regulations EU) - Estocolmo (Campervan Sweden)
A adoção do pedágio urbano em Londres em 2003 fez o tráfego na área central cair cerca de 30%, enquanto a velocidade dos ônibus cresceu. E hoje ninguém pensa em acabar com a cobrança. Outras cidades europeias seguiram o mesmo caminho. Estocolmo implantou um sistema semelhante em 2006 e Milão, em 2012.
O sucesso de Nova York
Fonte: RPA e MTA
Nova York, a maior cidade dos EUA, adotou em 2025 a chamada “Zona de Alívio de Congestionamento” (CRZ) cobrando pedágio dos veículos que entram no coração de Manhattan. O sistema começou com tarifa de cerca de nove dólares em dias úteis, entre 5h e 21h, com valores maiores para caminhões e veículos comerciais.
A implantação enfrentou forte oposição política e até processos judiciais. No entanto, os dados do primeiro ano indicam resultados positivos. O volume de veículos caiu cerca de 11%, o equivalente a menos 73 mil carros por dia. A velocidade média dos ônibus aumentou 2,3%, revertendo uma tendência de declínio que se manteve por 2023 e 2024. O tráfego de pedestres na CRZ cresceu 3.4% e o uso do transporte público também. Segundo dados da MTA (Metropolitan Transportation Authority), o número de passageiros no metrô subiu 9%, nos ônibus expresso o crescimento foi de 7,8% e nos ônibus comuns chegou a 8,4%.
Outros impactos
Houve queda de cerca de 22% na poluição do ar dentro da zona tarifada, com efeitos percebidos também em bairros vizinhos. As colisões na região diminuíram aproximadamente 7%. Dados econômicos também contrariaram as previsões pessimistas com um crescimento de 6% da arrecadação de impostos sobre vendas dentro da CRZ. E o programa arrecadou de U$ 560 milhões em um ano, que estão sendo investidos em melhorias no metrô e no sistema de transporte público.
Referências: edf.org | tfl.gov.uk | bloomberg.com | caosplanejado.com | news.cornell.edu | rpa.org | nytimes.com | governor.ny.gov | congestionreliefzone.mta.info | rpa.org/congestion
Quer ver a sua experiência de boa prática compartilhada aqui no portal e concorrer ao Prêmio Plínio Assmamn de Boas Práticas em Mobilidade Urbana? Clique aqui para saber como enviar a sua prática.