CAMPANHA PONTO CEGO – CURITIBA (PR)

Publicado em 05/05/2026 às 11:11


Em 2025, Curitiba alcançou um resultado que poucas cidades brasileiras conseguiram: zero morte de pedestres, ciclistas e motociclistas em acidentes com ônibus. O feito integra um cenário positivo que é ainda mais amplo chegando a uma redução de 22% no total de sinistros envolvendo o transporte coletivo, com os registros caindo de 1.463, em 2024, para 1.135 no ano seguinte.

Os números são resultado de uma estratégia coordenada entre a Urbanização de Curitiba (Urbs) e a Escola Pública de Trânsito (ABC Trânsito), que apostou na combinação de sinalização física, imersão educacional e tecnologia.

Um ponto de virada: ver com os olhos do motorista

A campanha "Ponto Cego", lançada durante o Maio Amarelo de 2025, foi o coração do programa. Toda a frota, composta por 1.500 ônibus, recebeu adesivos indicando as regiões onde o condutor não vê a aproximação de pedestres, ciclistas ou motociclistas, mesmo quando o profissional ao volante faz uso constante dos retrovisores – e, dependendo do modelo, podem existir de seis a dez pontos-cegos, com o número máximo sendo registrado nos biarticulados.

 

Além da adesivagem, foi desenvolvida a "Blitz Educativa Vivencial", um evento que se multiplicou pela cidade convidando pedestres, ciclistas, motociclistas e até  motoristas de carros a literalmente se sentarem no banco do condutor de um ônibus. A ação foi desenvolvida pela Escola Pública de Trânsito ABC, ligada à Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (SMDT), e se concentrou nos principais pontos de risco nas “canaletas”, ou seja, nas vias exclusivas destinadas ao tráfego do transporte coletivo do sistema BR da cidade. Essas áreas foram escolhidas justamente porque muita gente a utiliza, equivocamente, para correr, fazer caminhada ou praticar ciclismo.  

O ciclista e segurança Edenilson Meller caiu na Blitz Educativa Vivencial e foi para no banco do motorista de ônibus. Fonte: Prefeitura de Curitiba.

A experiência foi mesmo de abrir os olhos porque tornou palpável o que os dados estatísticos quase nunca conseguem transmitir: a dimensão real dos ângulos mortos e o risco que corre quem se encontra nestes pontos. 


Agentes de trânsito demonstram a localização de pontos em que o motorista não tem como enxergar a presença humana na lateral de um ônibus articulado. Fonte: Prefeitura de Curitiba

Os principais motivos de acidentes envolvendo pedestres e ciclistas e os ônibus na capital paranaense são a desatenção, causada quase sempre pelo uso de celular ou fones de ouvido, as travessias rua fora de local apropriado e ações proibidas, como caminhar, correr ou pedalar na canaleta ou ainda pegar “rabeira” nos veículos. Os dados da Urbs mostram que 21% dos acidentes envolvendo o transporte coletivo em 2025 aconteceram justamente nos corredores exclusivos.

Premiação

Em outubro de 2025, a Campanha do Ponto Cego e sua blitz educativa recebeu o reconhecimento do Prêmio Senatran, organizado pela Secretaria Nacional de Trânsito do Ministério dos Transportes. 

Referências: bandab.com.br | curitiba.pr.gov.br/adesivos-de-sinalizacao | curitiba.pr.gov.br | curitiba.pr.gov.br/noticias/maio-amarelo | curitiba.pr.gov.br/noticias/campanha-ponto-cego | diarioinduscom.com.br | diariodotransporte.com.br


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